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O Caminho de São Tomé no Brasil e na Índia

O Caminho de São Tomé no Brasil e na Índia

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.São Tomé – Na América e na Índia

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Foto 1: vista da cidade de Chennai – Índia.

Chennai (antigamente chamada de Madras) é a capital e a maior cidade do estado de Tamil Nadu, localizado no extremo sul da Índia. Fazendo parte da cidade, encontra-se São Tomé de Meliapor, um antigo território colonizado por Portugal na Índia entre os anos de 1523 e 1662, e posteriormente entre 1687 e 1749. Atualmente é um bairro histórico da cidade.

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Foto 2: Templo Hindú em Chennai – Índia.

Chennai foi colonizada também pela Inglaterra, tendo sido sede da Companhia Inglesa das Índias Orientais até 1773 e prosperou à base do comércio de algodão e têxteis. Na época tornou-se a cidade mais importante da Índia enquanto colônia inglesa. É também a quarta maior cidade do país, depois de Calcutá, Bombaim e Nova Delhi.

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Foto 3: Basílica de São Tomé em Chennai – Índia, construída sobre o túmulo do Apóstolo.

É em São Tomé de Meliapor que estão os restos mortais do Apóstolo Tomé, numa Basílica Católica construída pelos portugueses sobre o seu túmulo.  Conhecido como missionário na Índia por meio dos Atos de Tomé, escrito em torno do ano 200, seus seguidores são conhecidos como “Cristãos de São Tomé (Nasrani Malabar)”. Trata-se de um grupo etno-religioso de Kerala, referindo-se aqueles que se tornaram cristãos na costa do Malabar nos primórdios da Fé cristã, incluindo nativos da região e os da diáspora judaica em Kerala. São chamados de cristãos de São Tomé por terem sido evangelizados diretamente pelo apóstolo São Tomé em pregação entre os anos 52 e 72 D.C.

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No ano de 1986 o Papa João Paulo II visitou a cidade de Chennai

(Clique na figura abaixo para ver as fotos da visita)

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Chennai 11, (ex-Madrás) túmulo de São Tomé Apóstolo

Foto 4: Tumba de São Tomé na Basílica de Chennai – Índia.

As várias denominações da moderna Igreja oriental dos Cristãos de São Tomé atribuem suas origens à sua tradição oral, datada do século II, que alega ter Tomé chegado a Maliankara, próximo à vila de Moothakunnam, no ano 52. Esse vilarejo está localizado a 5 km de Kodungallur, no Estado indiano de Kerala, e contém as igrejas dedicadas a São Tomé popularmente conhecidas como Ezharappallikal. Essas igrejas estão em Cranganor, Coulão, Niranam, Nilackal, Kokkamangalam, Kottakkayal, Palayoor e Thiruvithamkode.

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Foto 5: Santuário Igreja Nossa Senhora da Expectação construída em 1523 durante a colonização portuguesa em Chennai – Índia.

Durante os primeiros séculos da colonização na América, os primeiros Jesuítas que chegaram ao Brasil estranharam a receptividade dos nativos de etnia Kara-yo, que habitavam o território litorâneo compreendido entre a cidade de Cananéia (SP) e a região da Lagoa dos Patos (RS). Esses nativos não apenas relataram, como também mostraram diversos registros e sinais de “prova” que se tornaram fortes indícios da passagem de Tomé pelo Continente Americano. Curiosamente, há registros semelhantes na Índia, indicando se tratar da mesma pessoa. Os nativos relataram também a figura mitológica de um homem branco que teria visitado a América do Sul em tempos pré-colombianos. Esta figura, a qual eles atribuíram o apelido de “Pai Sumé”, foi identificada e fundida com São Tomé.

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Foto 6: Piso na entrada do Santuário Igreja Nossa Senhora da Expectação – 1523 – Chennai, Índia.

A mais notável informação histórica sobre a existência das pegadas de São Tomé no Brasil foi-nos transmitida pelo padre Manoel da Nóbrega, um dos primeiros missionários jesuítas, que foi provincial da Companhia de Jesus no Brasil e companheiro de José de Anchieta:

Tambem me contou pessoa fidedigna que as raízes de que cá se faz ho pão, que S. Thomé as deu, porque cá não tinhão pão nenhum”. 

Posteriormente Manuel da Nóbrega acrescenta: 

Dizem eles (os índios) que São Tomé, a quem chamam de Sumé, passou por aqui e isto lhes foi dito por seus antepassados e que suas pisadas estão sinaladas junto de um rio, as quais eu fui ver, por mais certeza da verdade, e vi com os próprios olhos quatro pisadas mui sinaladas com seus dedos, às quais cobrem o rio algumas vezem quando enche. Dizem também que quando deixou estas pisadas ia fugindo dos índios que o queriam flechar, e chegando ali se abrira o rio e passara por meio dele a outra parte sem se molhar; e dali foi para a Índia. Assim mesmo contam que, quando queriam o flechar os índios, as flechas se tornavam para eles e os matos lhe faziam caminho para onde passasse. Dizem também que lhes prometeu que havia de voltar outra vez a vê-los.”

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Foto 7: Estátua construída em homenagem ao Apóstolo na “Little Mountain”, local onde São Tomé costumava pregar. Hoje faz parte de um santuário na cidade de Chennai – Índia.

Um dos mais importantes relatos sobre Sumé (Tomé) nos foi deixado pelo padre Antonio Ruiz de Montoya, um missionário jesuíta no Paraguai. Em 1639 ele escreveu um livro onde transmitiu um interessante episódio a respeito de sua chegada em meios aos indígenas daquelas terras.

A hospitalidade do gentil foi muito amistosa, tendo uma festiva demonstração de danças, lhe sendo oferecido comidas, causando-lhe surpresa. Os índios contaram-lhe então uma tradição antiquíssima recebida dos antepassados. Quando São Tomé, que chamavam de Pai Zumé, fez sua passagem por aquelas terras, dissera-lhes estas palavras:

“A doutrina que eu agora vos prego, perdê-la-eis com o tempo. Mas, quando depois de muito tempo, vierem uns sacerdotes sucessores meus, que trouxerem cruzes como eu trago, ouvirão os vossos descendentes esta mesma doutrina que vos ensino”. 

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Clique na figura abaixo para ver fotos dos sinais deixados

por São Tomé no Brasil e na Índia

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Foto 8: Interior do santuário Igreja Nossa Senhora da Expectação construída em 1523 durante a colonização portuguesa em Chennai – Índia.

O cronista ainda afirma que estes índios ostentavam uma cruz, o que associado ao relato causou maior admiração. De acordo ainda com os jesuítas, os indígenas reafirmaram outras ideias religiosas cristãs ensinadas por Sumé. Admiravelmente, diziam que a seus ancestrais, Sumé ensinou que uma virgem de incomparável beleza deu à luz um lindo filho que não tinha pai; e que este filho devolvia a saúde aos enfermos, a visão aos cegos, a vida aos mortos. Além dos relatos que lembram a vida de Jesus, há também outros com paralelo à história bíblica do dilúvio.

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Foto 9: Painel no interior do santuário Igreja Nossa Senhora da Expectação construída em 1523 durante a colonização portuguesa em Chennai – Índia. O painel retrata o momento da morte do Apóstolo, no momento em que foi flechado.

De acordo com os nativos que relataram todos esses fatos aos Jesuítas, Tomé embrenhou-se num caminho (estrada) ancestral e milenar, aberta pelos diversos povos que viviam ao longo do seu trajeto. Este caminho partia do Oceano Atlântico e seguia ininterruptamente até o Oceano Pacífico. É a primeira estrada transoceânica que se tem conhecimento ao longo da história. Através dela Tomé passou pelos Reinos do Perú, subindo o território americano até determinada altura, onde ainda é possível identificar os sinais deixados por ele. Após sua longa jornada por terra, a maior probabilidade é que tenha tomado uma barca em direção à Índia, onde desembarcou na região acima mencionada, deparando-se com o antigo estado de Kerala. Ali agradou e conquistou a muitos, fundando igrejas e convertendo milhares de pessoas. Sua morte ocorreu no ano de 72 D.C., em um dos locais onde costumava pregar: uma pequena colina próximo à Madrás. Estimasse que hoje exista cerca de 7 milhões de seguidores, ou de “Cristãos de São Tomé” apenas na Índia.

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Foto 10: Templo Hindú existente em Chennai – Índia.

A história diz que Tomé morreu em razão do descontentamento do Rei local, após ter convertido seu filho e esposa ao Cristianismo. No local foi construído um pequeno santuário onde mais tarde uma belíssima Basílica foi construída sob o seu túmulo. Tomé também teria deixado um evangelho escrito por ele próprio, o qual encontra-se na Biblioteca de Nag Hammadi. Nele há diversos relatos sobre a vida e os ensinamentos de Jesus.

Quem acompanha o History Channel, no mês de Janeiro (2018) foi exibido um episódio exclusivamente sobre os passos de Tomé na Índia, na região de Chennai. Resultados de exames comprovaram que o osso do seu antebraço esquerdo – o qual encontra-se atualmente na Catedral de Pari (Itália) data do ano 90 D.C.

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Foto 11: Bavithra Ramani com o livro “Entre Trilhos e Estrelas”, em frente ao painel que guarda a relíquia sagrada do Apóstolo, um osso do seu dedo. Recentemente exames detalhados feitos por cientistas na Europa, apontam que os ossos datam o ano 90 DC, tornando a relíquia sagrada mais autêntica já encontrada até hoje na história. A capela que atualmente abriga a relíquia sagrada foi construída em 1523 durante a colonização portuguesa em Chennai – Índia.

Isto a tornou a relíquia sagrada mais autêntica já encontrada ao longo de toda a história da cristandade. A pequena margem de erro entre o ano em que Tomé morreu (72D.C.) e o resultado dos exames (90D.C.) é perfeitamente aceitável. Tendo em vista tratar-se de um osso que recebeu uma camada de resina e ficou lacrado em uma redoma de vidro a prova de ar. Tais apontamentos abriram caminho para estudos sem precedentes. Diversos estudiosos estão unindo forças com o intuito de remontar toda a história de São Tomé, assim como provar a sua passagem pela América, especialmente pelo Brasil.

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Foto 12: Estátua do Apóstolo no “Little Mountain”, local onde São Tomé costumava pregar. Hoje faz parte de um santuário na cidade de Chennai – Índia.

O caminho que São Tomé utilizou para percorrer parte da América era conhecido como “Caminho de Peabirú”, e mais tarde ficou conhecido também como “Caminho de São Tomé”. Este caminho em sua maioria se perdeu, mas algumas partes ainda continuam vivas, resistindo ao tempo e ao progresso. Há pessoas que as percorrem como forma de peregrinação, com o intuito de  aproximar-se de Deus e também do Apóstolo Aventureiro que por aqui passou. O Peabirú foi descoberto em 1524 pelo náufrago português Aleixo Garcia, que através dele chegou em Cuzco, capital do antigo Império Inca.

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Foto 13: Trem da empresa RUMO percorrendo o trajeto entre as cidades de Bauru (SP) e Mato Grosso do Sul (MS), apontado no livro.

Hoje em dia o que há de mais próximo do caminho original é o traçado das ferrovias que existem ao longo dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, ligando-as com a ferrovia boliviana que segue na direção de Cuzco, no Perú. Este mesmo caminho, assim como as ferrovias acimas apontadas, serviram como cenário para o desenrolar de boa parte da aventura narrada no livro “Entre Trilhos e Estrelas”..

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Foto 14: “Tren de La Vida” da Empresa Ferroviária Oriental na altura de Sierra Cochis, percorrendo o trajeto entre Puerto Quijarro – Bolívia (divisa com Corumbá – MS – Brasil) e Santa Cruz de La Sierra.

Vale ressaltar que o trem Boliviano que opera o trajeto entre Puerto Quijarro (Puerto Suarez) até Santa Cruz de La Sierra recebeu em seus primórdios o apelido de “Trem da Morte”, o que não faz jus ao trem, muito menos ao seu serviço. Ocorre que durante o período em que as suas estradas de ferro foram construídas, a Bolívia enfrentou um grave surto de Febre Amarela, levando à morte uma grande quantidade de cidadãos, inclusive um número expressivo de operários que trabalhavam na construção desta ferrovia. Na época, antigos vagões de madeira foram utilizados durante o surto, para o transporte de médicos, medicamentos e ajuda humanitária, mas também dos corpos daqueles que sucumbiram a epidemia. O trem é completamente seguro e possui um serviço de alta qualidade. O trajeto entre Puerto Quijarro e Santa Cruz de La Sierra também serviu de cenário para uma parte da aventura trazida no livro.

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Foto 15: Trem da empresa Perurail, que opera o trajeto entre as cidades de Cuzco e Puno, passando por diversas regiões andinas e cidades históricas. É tido como um dos passeios de trens mais bonitos no mundo.

Há ainda uma terceira parte do trajeto apontado no livro, onde os personagens principais partem de trem da cidade de Cuzco, passando por diversas estações até  chegar à Puno, uma das regiões mais antigas e históricas do Perú – localizada as margens do Lago Titicaca. É em Puno que os personagens chegam ao destino onde ocorre o ponto mais alto da história: O Fabuloso Reino de Uros (Ilhas flutuantes feitas por Povos Ancestrais que habitam aquela região há mais de 10 mil anos.

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Imagem acima: Ilhas Flutuantes de Uros (próximo à cidade de Puno). Localizadas no Lago Titicaca, são ilhas artificiais construídas pelos Povos Ancestrais que habitam a região por mais de 10 mil anos.

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Foto 16: Mosteiro de São Bento de São Paulo (Brasil), a primeira edificação da cidade de São Paulo, iniciada pelo primeiros Jesuítas que chegaram no Brasil no início do século XVI. É ainda hoje um dos principais pontos históricos da cidade. Foi residência oficial do Papa quando de sua visita ao Brasil em 2007.

É importante mencionar que o livro traz um prefácio escrito por Dom João Baptista Barbosa Neto. A escolha pelo prefaciante se deu, principalmente, por se tratar de um Monge Beneditino que possui o papel de Guardião da Biblioteca Monástica do Mosteiro de São Bento de São Paulo, fundada no ano de 1598 pelos primeiros Jesuítas que chegaram no Brasil. Atualmente a Biblioteca é utilizada apenas pelos Monges em Clausura, assim como pesquisadores e estudiosos do Curso de Filosofia da Faculdade de São Bento, a primeira estabelecida no Brasil.

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Foto 17: À esquerda Dom João Baptista Barbosa Neto, junto com o escritor Henry Jenné (à direita) quando de sua visita à Biblioteca Monástica iniciada em 1598. É a segunda Biblioteca mais antiga do Brasil e uma das mais importantes do país.

Os apontamentos de Dom João Baptista foram de grande valor para a obra, pois não apenas a complementa, como também traz de forma precisa alguns dos mais importantes escritos deixados pelos primeiros Missionários Jesuítas, como José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, dentre outros.

Pessoas do mundo inteiro visitam o Santuário de São Tomé na Índia, em Chennai, assim como suas igrejas e os locais por onde o Apóstolo passou.

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Foto 18: Capa da 1º edição do livro “Entre Trilhos e Estrelas”, lançado em Agosto de 2017 em Portugal e em Outubro do mesmo ano no Brasil.

Como forma de facilitar a recepção das pessoas, assim como indicar um local onde ficar na cidade de Chennai, tive o contato por longo período com a Sra. Bavithra Ramani, que possui um hostal muito bem instalado na cidade e hospeda pessoas de diversas partes do mundo, inclusive do Brasil.  Sua localização é bem próxima aos principais locais que remetem a passagem do Apóstolo, sendo um local seguro e  prático pela proximidade com os lugares citados acima na cidade de Chennai. Ramani conhece perfeitamente toda a região e oferece informações preciosas de como se deslocar, onde comer, etc.

Se alguém tiver interesse em visitar Chennai e os locais onde São Tomé viveu na Índia, poderá contata-la através do seguinte endereço:

(Mais informações serão acrescentadas)

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Foto acima: Escritor Henry Jenné com o lindo quadro que recebeu da Índia (cidade de Chennai), onde se encontra a Basílica de São Tomé. A foto foi tirada no interior da Igreja Nossa Senhora da Expectação (1523), local onde o Apóstolo costumava pregar e morreu no ano 72 D.C. Hoje há no local um Santuário que guarda parte de suas Relíquias Sagradas.
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Thank you Ms. Ramani. Thank you India. I love your people and your culture. Hope I can visit your country soon.