Logotipo

Escritor – Site Oficial

Mosteiro de São Bento de SP – Biblioteca Monástica

Mosteiro de São Bento de SP – Biblioteca Monástica

Brasao Mosteiro Sao Bento SP

Mosteiro de São Bento de São Paulo

e Biblioteca Monástica


 

Mosteiro de São Bento de São Paulo  O Mosteiro de São Bento é um local histórico e religioso localizado no Largo de São Bento, no centro da cidade de São Paulo, no Brasil. O local é um conjunto da Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção, do Colégio e Faculdade São Bento. Embora o atual complexo tenha sido reestruturado entre os anos de 1910 e 1912 a partir do projeto criado pelo arquiteto alemão Richard Berndl, o início da instalação e história do Mosteiro tem mais de 400 anos. A Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção (elevada a esta dignidade em 14 de junho de 1922) possui o coro para o ofício divino em rito monástico rezado diariamente pelos monges e a missa em rito romano, ambos com canto gregoriano. Desde 2006, o titular do mosteiro é Dom Abade Mathias Braga que, em maio de 2007, hospedou o Papa Bento XVI em sua primeira visita ao Brasil.

Mosteiro de São Bento de São PauloA história dos Beneditinos em São Paulo começa em 1598, quando Frei  Mauro Teixeira, religioso paulista de São Vicente, levantou uma modesta igreja dedicada a São Bento. O terreno escolhido era dos melhores da povoação, localizando-se no alto do morro, entre os Rios Anhangabaú e Tamanduateí, onde antes havia estado a casa do cacique Tibiriça. A construção começou a ser levantada a partir de 1600, quando a Câmara Municipal validou a carta de Sesmaria, que concedia permissão do governo de Portugal para o uso da terra. A carta especificava que os terrenos seriam “para o convento, mosteiro, ou casa do dito santo, fôrros livres e isentos de todo tributo e pensão, de hoje até o fim do mundo”. O conjunto era inicialmente muito modesto, composto pela igrejinha velha e quatro celas.

Mosteiro de São Bento de São PauloEm 1641, o mosteiro foi palco importante do episódio histórico conhecido como  Aclamação de Amador Bueno – ilustre proprietário de terras filho de pai espanhol e mãe portuguesa. Com o fim da União Ibérica, Don João, à época Duque de Bragança, foi coroado rei de Portugal. Em São Paulo, um grupo de colonos – em grande parte castelhanos – quis que a Capitania não reconhecesse o novo rei, e ofereceram o título de “Rei de São Paulo” a Amador Bueno. Este não somente Não quis aceitar a oferta como deu “Vivas” ao Rei de Portugal. Sua atitude gerou uma rebelião e ele necessitou refugiar-se no Mosteiro de São Bento para se proteger da fúria popular. Finalmente, com a ajuda dos monges, os ânimos se acalmaram e D. João foi reconhecido pelos paulistas como o novo rei de Portugal. Por esse ato, Amador Bueno deixou nome ilustre e recebeu carta de direta de D. João que lhe agradecia a lealdade.

Mosteiro de São Bento de São PauloA partir de 1650, a estrutura passou por uma grande ampliação, graças ao Bandeirante Fernão Dias Pais, conhecido como “caçador de esmeraldas”. Em troca do apoio financeiro, os monges lhe concederam o privilégio de ser sepultado na capela-mor da igreja do mosteiro, assim como seus parentes e descendentes. Até hoje seus restos repousam na cripta da igreja. Datam dessa época as imagens de barro de São Bento e Santa Escolástica, feitas por Frei Agostinho de Jesus (1600-1661) e conservadas até a atualidade no altar-mor da igreja.

Na primeira metade do século XIX, uma lei do governo imperial determinou a extinção dos noviciados no Brasil, impedindo a renovação dos velhos monges por religiosos mais jovens. A decadência inevitável causada por essa lei fez com que se cogitasse a transferência do mosteiro ao tesouro público. Essa situação só foi revertida pela ação do abade D. Miguel Kruse (1864-1929), religioso alemão que renovou o mosteiro. Em 1903, fundou o Colégio de São Bento, de ensino secundário, e em 1908 criou a Faculdade de Filosofia, a primeira deste tipo no Brasil. Também por iniciativa de D. Miguel Kruse foram demolidas a igreja e o mosteiro da época colonial para a construção de um edifício mais grandioso.

Em julho de 1900, se iniciou um novo período na história do mosteiro, quando começaram as obras do colégio (então chamado ginásio), ficando pronto em 1903, contando, entre seus professores fundadores, com Afonso d’Escragnolle Taunay. Após isso, em 1908, foi fundada a Faculdade de Filosofia, que viria a ser a primeira do Brasil e embrião da atual Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A Faculdade de São Bento ainda hoje retém sua tradição educacional oferecendo curso de licenciatura em filosofia, além de cursos livres de idiomas.


Cruz medalha sao bento

BIBLIOTECA MONÁSTICA

O mosteiro abriga ainda uma Biblioteca Monástica com mais de 100 000 títulos, alguns extremamente raros. Considera-se que seja a mais antiga da cidade de São Paulo, e possivelmente a segunda mais antiga do Brasil, tendo seu início com os primeiros monges que chegaram em 1598.

visita do escritor henry jenné a Biblioteca Monástica do Mosteiro de São Bento de São Paulo

(Foto acima: Monge Dom João Baptista e o escritor Henry Jenné no interior da Biblioteca Monástica)

O acervo contém 581 títulos publicados antes do século XIX, entre eles seis raros incunábulos, ou seja, datados do início da imprensa, antes do ano 1.500. O mais antigo é um Novo Testamento de 1496. Tem, ainda, uma curiosa coleção de manuscritos minúsculos, com menos de um centímetro de lombada, que contém uma passagem bíblica ou uma oração.

visita do escritor henry jenné a Biblioteca Monástica do Mosteiro de São Bento de São Paulo

(Foto acima: interior da Biblioteca Monástica, cujo acesso é permitido somente a clausura)

O acesso ao acervo é restrito aos monges, mas pesquisadores e estudiosos podem solicitar uma permissão especial para consulta-los em uma antessala existente especificamente para este fim. Já o acesso ao interior da Biblioteca Monástica é restrita unicamente aos Monges de Clausura.

visita do escritor henry jenné a Biblioteca Monástica do Mosteiro de São Bento de São Paulo

(Foto acima: Dom João Baptista abençoando o terço do escritor Henry Jenné, o qual carrega sempre consigo há mais de 20 anos, utilizando-o diariamente em suas orações. O terço carrega a Cruz medalha de São Bento e foi presente de um amigo que o acompanhou em um retiro espiritual no ano de 1996).


AGRADECIMENTOS

Agradeço infinitamente a Deus por permitir o encontro com Dom João Baptista e conhecê-lo, sem o qual não teria sido possível minha visita e acesso ao interior da Biblioteca Monástica do Mosteiro de São Bento de São Paulo.

Ao Dom João Baptista, minha sincera e eterna gratidão e respeito.

Nota: Dom João Baptista é autor do Livro:

“O Pequeno Príncipe Descobre o Mosteiro” – Editora Cosmos.